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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Agora sei.

Amei-te do lado errado do coração.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Não te vais.


Tenho saudades tuas. Hoje não consigo conter-me: tenho tantas saudades tuas que preciso de te chorar, preciso de te amar por um bocadinho mais.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

So, this is it.

Agora sempre que escrevo para ti acabo por apagar tudo. Não consigo. Não sou mais capaz de te dirigir as palavras de sempre, enviar-te mais uma prova do quanto às vezes ainda sinto a tua falta.

domingo, 19 de setembro de 2010

Confess Myself #7

Hoje gostaria de dizer que te amo, que ainda te amo, em voz alta e enquanto o pudesses ver reflectido nos meus olhos, delineado nos meus lábios.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sensações Intermitentes

"(...) Ainda assim me sinto, já sentada na cama com o lençol a cobrir-me as pernas e o calor do computador a envolver-me o corpo. E sinto-me como se fosse realmente pequenina, sem nada que possa fazer a não ser chamá-lo em lugares onde não parece estar, desejando vezes sem conta que volte já, suplicando por ouvir a sua voz à porta que me faça atirar tudo para trás e correr escadas abaixo, tremer enquanto abro a porta desajeitadamente para depois o segurar nos braços como se fosse a única forma de voltar a poder respirar – de deixar de suster a respiração. Só queria que percebesse que desaparecer assim de casa me diminui o coração, me afoga em mágoa e preocupação um bocadinho de cada vez. Como se estivesse prestes a mudar-se, abandonando-me as memórias e a alma, deixando-me o passado inabitado."

07/09/2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Wish you were

I'm still in love with who I wish you were

Kate Voegele - Wish You Were

sábado, 31 de julho de 2010

Confess Myself #3

Não sei de que gosto menos: se da tua presença, se das tuas ausências.

terça-feira, 27 de julho de 2010

unreadable

Sinto falta dos teus beijos postos em palavras, dessa junção de letras com que costumavas beijar-me a pele. Às vezes ainda te pressinto a escrita, como se ainda me dirigisses essas cartas que nunca cheguei verdadeiramente a ler. "Devagarinho", dizias, e mostravas-me aos poucos, um pedacinho de cada vez, frase a frase e depois parágrafo a parágrafo até eu te implorar. Já sem forças voltavas a abrir o envelope, e como se te carregasse a vida deixavas-me dar uma olhadela rápida. Não querias que te decorasse, preferias surpreender-me com textos imprevistos e momentos fortuitos. Cheguei a acreditar que tinhas poder sobre as palavras, porque as usavas tão facilmente, combinando-as entre si como se se encaixassem realmente, e dominavas a técnica de as desenhar sobre mim, porque juro que ainda sinto a tua mão nas minhas costas empunhando a caneta, delineando cada letra na perfeição. Vai-se desvanecendo aos poucos, sabes, a tinta que em tempos deixaste gravada no meu coração, e é com dificuldade que ainda te recordo a voz com que me lias. Mas não desaparece, indelével e permanente, apenas se torna ilegível.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Hoje


Não sei de que vivo: se de recordações tuas, se das tuas ausências. Hoje vivo-te em saudades - mas não são saudades de ti, não são saudades das tuas mãos ou do teu abrigo. Não; são saudades das tuas carícias: do teu corpo em volta do meu, das minhas pernas enlaçadas com as tuas, da tua procura incessante do meu calor, da minha paixão arrebatadora e desmedida por esses beijos que me cobriam a pele.
Hoje sei, sinto-lhe a falta. O amor; o bater acelerado dentro do peito; o olhar perdido por entre as fendas da persiana.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Confess Myself #3

Don't act like I didn't fight for you. I did. Hard and for a long time. So please forgive me, if now that we're over i'm exhausted.
Blair, Gossip Girl

Se calhar foi isto que me faltou fazer. Se calhar é por isso que ainda me fazes falta; é por isso que ainda não me esqueci do teu rosto. Ou se calhar são apenas tudo especulações, como poderei saber? Não interessa, já há pouco que ainda interesse, de qualquer das formas. Mas às vezes sinto que nunca to disse realmente, às vezes penso que ainda acreditas que se voltares eu estarei aqui. E estou, e acho que não vou nunca deixar de gostar de ti. Não te amo mais, nunca mais te amarei, mas ainda gosto tanto de ti. Mas se calhar deverias tê-lo ouvido. Deveria ter-te enfrentado, havia tanta coisa que te queria dizer. Acabou por ficar tudo aqui guardado, e isso não é bom, sabes? Parece que aos pouquinhos as palavras que te deveria ter gritado vão manchando as boas memórias que ainda me ficaram de ti... e eu não quero isso. Foste o meu primeiro verdadeiro amor e foste também o primeiro a partir-me o coração. Eu sei que aos quinze anos nada é para sempre, mas ainda era tão ingénua, ainda era tão fraca. Pedi-te que me ensinasses, recordas-te? Precisava que tivesses paciência comigo porque tudo era novo para mim... e acabei a repetir-te tudo, a dizer-te para teres paciência com ela. Que estupidez a minha, que estava eu a fazer?! Se há coisa de que não me podes acusar, é de não te ter amado o suficiente. Amei-te demais; chorei-te demais. E mesmo depois de tudo o que fizeste - e olha que foi tudo tão feio, foi tão feia a forma como tudo terminou entre nós -, não consegui deixar de estar disponível para ti. Custava-me tanto ver-te em baixo que abdiquei da minha própria felicidade só para te dar um pouco de reconforto. E agora continuo a perguntar-me, em que raio estava eu a pensar? Sabes, não o devia ter feito; não devia ter-te apoiado depois de me teres abandonado pela minha melhor amiga. Acho que os românticos lhe chamariam de verdadeiro amor, mas não consigo pensar em mais nada a não ser na palavra tragédia, já assim retratou Nicholas Sparks uma história parecida, menos trágica ainda talvez. Ainda te aconselhei. Às vezes fico a pensar se vocês ainda estariam juntos se te deixasse sozinho a chorar num dos dias em que te apertei a mão e te prometi que tudo iria resolver-se. Não o merecias. Nunca o mereceste e continuas a não merecê-lo. Sabes, não dás o devido valor às pessoas que te rodeiam, menosprezas as pessoas depois de a mão já não ser precisa. E no entanto, há dias em que ainda me sinto apaixonada por ti... talvez chegues a ler isto e a pensar "ainda dizes que não voltarias para mim de novo", e tens realmente motivos para o pensar. Mas não... Juro que não cairia pela milésima vez no mesmo erro. Compreendes? Não seria capaz de voltar a passar pelo mesmo. Tinha de ser assim? Ainda me custa tanto. Às vezes ainda me sento sozinha no sofá, de luzes apagadas e com silêncio total, a pensar em ti. Ainda te escrevo. Porque estragaste tudo? As nossas memórias são agora dolorosas, e podia no entanto recordá-las com carinho. Dificultaste tudo... E apesar disso, sinto que em parte ainda me culpas, não é assim?

Se calhar vou arrepender-me de publicar este post, mas não sinto que seja capaz de voltar a escrever tudo de novo. Ainda te escrevo, é verdade, mas é apenas para te recordar o lado bom, para não te deixar desvanecer o afecto. Porque eu não quero isso, não quero odiar-te por teres feito as coisas assim. Acho que ainda não tinha tido a coragem de me sentar para te falar sobre isto. Aqui está, ainda que muito resumidamente... acredita que continuo a sentir um aperto no peito, e sabes o que isto significa? Que ainda não disse tudo.

I'm a fool

Stay with me
You're all I see...

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me

Pearl Jam - Just Breathe

sábado, 10 de julho de 2010

Confess Myself #2

Confess your kiss still knocks me off my legs
First time I saw you I got punched right through my chest
I will forever 'cause you'll forever be
My one true broken heart
Pieces inside of me and you forever
My baby

Dave Matthews Band - My Baby Blue

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Perfume

Ás vezes apetece-me cantar-te. Ainda gostava de ter realmente jeito com as palavras para te poder dizer como me sinto, saber conjugá-las de forma a formar algo com sentido... já que nem a mim própria sei explicar. Para ser sincera, não sei mais para quem escrevo, apenas encontro um grande ponto de interrogação no lugar do teu rosto. É disso que sinto falta: de saber-te de cor. Já não te reconheço as mãos, mas ainda te pressinto o perfume... sabes, às vezes dou por mim a procurar-te entre a multidão, a apurar os sentidos só porque senti o sabor do teu perfume perto. Cruzo-me tantas vezes com esse teu aroma. E é assim que te resumo: a um perfume. Foi isso que me ficou de ti? Já nem te encontro respostas. Mas deixa-me dizer-te que sinto a falta de um todo a tempo inteiro. Não apenas um perfume, mas um tu completo. Não tu verdadeiramente, apenas um alguém que me preencha este vazio, porque não peço que voltes. Aliás, não quero que voltes. Vês? Como hei-de explicar-te algo que ainda não compreendo? Faltam-me palavras, pequenas peças de um puzzle para o qual não encontro solução.
Não tenho sono.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ou

então sou eu, parva, que me deixei, quase como um descuido, ficar aprisionada a ti. E agora passado tanto tempo, a chave pesa-me no bolso... e o problema é que já não sei como lhe pegar. Por isso me vês cá sentada todos os dias - e chego portanto à conclusão de que os meus dias são basicamente todos iguais; monótonos, vazios de te carregarem a ausência -, mas talvez não espere ainda a tua imagem transparente sob o vidro sujo da janela: talvez aguarde já a chegada de alguém capaz de me fazer levantar desta cadeira e de (te) levar para longe de mim (longe do meu coração) esta chave que deixaste e que carrego com amargo tormento.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Juro

que há dias em que não me reconheço. Ou então são apenas dias em que teimo serem diferentes de todos os outros. Talvez os dias não sejam diferentes e talvez tu não te vás embora. Nunca te vais embora. Enquanto eu me sento todos os dias à tua espera na mesma posição, um olhar perdido ou uma palavra esquecida, entre frases de letras construídas sempre da mesma forma; sempre de ti, sempre para ti. O vidro da janela que transparece um mundo lá fora, o espelho que apenas me reflecte a saudade de um tempo passado, o computador em que escrevo todos os dias o mesmo para ti; e os dias são iguais, só eu teimo em saltar da janela para o espelho e do espelho para o computador, como que aleatoriamente. Mas nunca é, sabes, nunca é aleatório porque a janela e o jardim lá fora fazem-me recordar do teu sorriso entre as árvores e o chilrear dos pássaros, e às vezes quase que juro que ainda te vejo de óculos postos e de andar descontraído, seduzindo-me; e corro até ao espelho só para confirmar se lhe chamo alucinação ou realidade, mas nunca, não reflecte mais a tua imagem ao lado da minha; e termino, todos os dias, neste computador, e já não sei se é ele que me obriga a escrever sempre o mesmo ou se sou eu que vivo numa rotina e todos os meus dias são iguais; embora teime em afirmar que são apenas dias, como que excepções. E depois não sei se o que sinto por ti ainda é apenas de dias ou se são sentimenos que perduram e que não se apagam nunca; não sei se se renovam em dias em que o jardim, a tempos de Verão, se cobre pelo sol. E me faz querer ir até lá fora. Juro, às vezes apetece-me correr até este jardim. Mas depois ponho um pé fora da porta e a chuva volta; e eu de cabelo molhado, confundindo lágrimas com gotas de chuva. E volto ao mesmo de sempre; ou volto a chamar-lhe de excepções e recomeço. Talvez me tenhas prendido num ciclo vicioso da qual não encontro a saída; se é que há saída.

domingo, 30 de maio de 2010

Confess Myself #1


(...) e Deus, como sinto saudades do sabor da tua pele e do perfume dos teus beijos.

terça-feira, 11 de maio de 2010

why?

Não sei se ainda te espero. Não sei se já te virei as costas; a ti e a nós. Não sei nada. Tenho tantas certezas às vezes, mas passa tudo tão rápido - voltas tão rápido. Porque voltas se apenas desejo que partas? Porque continuam as tuas palavras, as nossas discussões, a ressoar na minha cabeça? Porque não me deixas seguir em frente? Sai da minha vida, de vez. As nossas memórias são, por si só, dolorosas e fartas; porque razão tem então a tua imagem e a nossa imagem de se lhes juntar? Acaba com os nossos sítios. Deixa-me voar para qualquer lado sem ter de me recordar obrigatoriamente de ti. Acaba com as hesitações que me impuseste com todos os teus olhares zangados. Deixa-me seguir em frente e experimentar outras sensações. Magoaste-me tanto que não sei mais se existe espaço para que um outro alguém me magoe. E sabes uma coisa? Às vezes, no meu íntimo, desejo que um outro alguém me magoe - talvez assim deixe de lembrar-me que tu o fizeste para me lembrar que outro ele o fez. Talvez assim perceba que podem vir a existir outras pessoas para além de ti. Acaba só com a recordação de que um dia existimos. Acaba, porque me dificultas tanto, ainda, a vida. Deixa-me desistir do nosso passado. A parte do futuro ultrapassei já há muito tempo.

domingo, 18 de abril de 2010

Putting my heart back together

Já venho a desafiar-me há algum tempo: escrever-te. Escrever-te para te dizer que me sinto melhor, que estou quase boa e recuperada do nosso infortúnio. Se me permites chamar-lhe assim.
Escrevo-te agora que encontrei finalmente forças para o proferir em voz alta, mas sabes, sinto que não tenho muito a dizer-te. Talvez até em tempos anteriores tivesse palavras suficientes para encher páginas de recordações e emoções, mas não agora. Acho que eliminei uma boa parte do que a tua imagem significava para mim do meu coração, e para dizer a verdade, não posso dizer que me sinto eufórica e aos pulos: porque não sinto. Sinto antes uma paz interior como não me sentia capaz de sentir, uma leveza nos ombros agora, somado a um sorriso fácil e, digamos, agradável.
Agora sim, sei que de facto sou uma pessoa melhor e mais feliz separada, de todas as formas, de ti. E não tenho muito mais a dizer, a não ser que estou finalmente a libertar-me de todos os fantasmas de um passado que me consumia a alma; a juntar todos os pedacinhos do meu coração que deixaste um dia despedaçado e destruído; a esquecer a pior parte de nós.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

lack of... something

Sinto-me quase como se estivesse apaixonada de novo (não estou vá, só se for pela vida). Ainda sinto a tua falta mas acho que já não me pesas; quero acreditar que sim.
Soa tudo um bocado a falta de juízo, não é? Tanto venho cá escrever-te a dizer que te esqueci, como venho cá para te dizer o quanto me fazes falta. Mas é tudo verdade: há dias em que te aprisiono, não intencionalmente, no pensamento, tanto que chegas a pesar-me e cansas-me; magoas-me. No entanto, às vezes acordo e dou por mim a perceber que não tenho porque estar assim: vivemos a nossa história, as coisas não correram como eu queria, mas deveria estar feliz porque te amei e porque me fizeste crescer e ver as coisas como não achava possível. Sim sim sim, sofri imenso por tua causa, cheguei ao ponto de achar que nunca recuperaria de um "desastre desolador" como foi o terminar da nossa relação; mas se não tivesses preenchido a minha vida durante o início do meu despertar para a adolescência, talvez continuasse a fazer os mesmos disparates. Apesar de todas as lágrimas que derramei por nós, juntos e separados, foste tu quem me ensinou a perder o medo de desiludir alguém, de evitar certos comentários ou atitudes só porque "ele pode não gostar, ou até perder o interesse"; não vale a pena e agora sei que a única coisa que posso e devo realmente oferecer numa relação é honestidade e o meu verdadeiro eu. Foi contigo que provei o meu primeiro swirl, e desde aí fiquei obcecada e, admito, não consigo ir até ao bragaparque e não parar para comer um. Foi contigo que aprendi a amar e a aceitar os defeitos do outro como parte dele. No entanto, foi contigo também que aprendi a ter limites; mas isto só no fim, só depois de ter batido vezes e vezes sem conta, só depois de estar já a parede desmoronada e não haver onde bater com a cabeça: descobri que, por muito que se ame alguém, o eu deve sempre vir em primeiro lugar, não posso obrigar-me a desistir dos meus ideais e princípios, não posso ir contra a minha personalidade, não posso aceitar que me roubem a integridade e o orgulho; sim, porque contigo deixei-me humilhar durante muito tempo, enquanto calcavas o meu orgulho e me fazias esperar, sofrer e esperar que te decidisses a amar-me com tudo aquilo que isso implica.
Por isso tenho de aceitar que a nossa relação terminou, ainda a tempo de me permitir tirar algo positivo, apesar de tudo. Ainda a tempo de me deixar sentir livre em determinados dias, que vão sendo cada vez mais frequentes; porque apesar de um dia ter escrito "é mentira, o tempo não cura nada e eu ainda te amo da mesma forma ou ainda mais", o tempo cura sim, e agora dou por mim a ansiar que o tempo passe depressa, só para chegar ao ponto em que já não ocupas a minha mente, mas apenas uma parte do meu coração onde guardo as memórias e as pessoas que um dia fizeram parte de mim.
Posto isto, devo avisar que os meus lame and sad posts vão voltar; afinal de contas, se eu os deixasse de escrever, algo de muito grave se passaria.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

let the end begin

Pergunto-me se ainda estaríamos juntos se - chamemos-lhe assim -este pequeno percalço não tivesse acontecido. Às vezes dou por mim a pensar se também tu te questionas sobre o futuro que havíamos planeado... tínhamos tantas esperanças, tantos sonhos; ou pelo menos quero acreditar que sim. Tenho mais do que motivos para te odiar, mas o que acontece quando te vejo... é raro ver-te, mas esta semana já é a segunda vez e, admito, senti-me perdida. De repente o espaço pareceu-me pequeno, como se as paredes e a meia dúzia de pessoas que nos separavam tivessem duplicado de tamanho, enquanto o ar escasseava e me sentia a sufocar... só queria fugir para não ter que te ver e voltar a sentir esta ferida latente que me magoa o coração. Talvez devesse lamentar-me por me ter obrigado a ficar: há muito tempo que a tua imagem não me faz bem; mas depois penso que tenho de aprender a conviver com este sentimento, que não posso fugir de cada vez que te encontro, e mais importante ainda: eu tenho de esquecer-te.
A verdade é que ainda sinto tantas saudades tuas...! Acho que já não posso dizer que te amo, porque ao contrário do que costumava acontecer, já não ocupas a minha mente durante todos os segundos do meu dia, já não dou por mim a adormecer contigo no pensamento, e já nem acordo com a impressão da tua amarga ausência. Não te amo, sinto sim a tua falta às vezes: quando certas músicas tocam; quando fico a olhar para o armário e me deparo, ainda, com o teu casaco pendurado entre os meus vestidos e camisas; quando a minha mãe, sem querer, aborda o teu nome; quando me falam em determinados sítios onde já estivemos e passámos bons momentos; ou quando abro a segunda gaveta da secretário e vejo a nossa caixinha.
A única coisa que posso continuar a fazer é fingir. Fingir que já não te desejo, que não sinto a tua falta. Talvez não seja o melhor caminho, mas é a única forma de não me sentir débil ou insegura perante a tua memória; só assim me permito acreditar que algum dia deixarás de exercer este poder sobre mim. Não vejo a hora de te deixar partir, de consentir com o nosso fim.